Nunca peça a alguém para fazer algo que você não faria”. A orientação é bastante conhecida e, na área de captação de recursos, pode ser traduzida como: “Não peça aos outros para realizarem doações se você não possui esse hábito”. O engajamento de captadores como doadores não serve apenas de exemplo para a sociedade, mas também contribui com o fortalecimento da profissão e, consequentemente, das organizações da sociedade civil.


O hábito da generosidade está profundamente enraizado nos captadores. Isso traz autenticidade à profissão e facilita a criação de procedimentos para a arrecadação de recursos, já que os profissionais sabem como é estar no lugar dos doadores. Não é cabível que você defenda um argumento sem ter a legitimidade dele, portanto, não se pode pedir às pessoas que doem sem exercitar a doação primeiramente. Aprendemos também como as organizações se comunicam, ferramentas de captação, réguas de captação. Isso não significa só doar para uma ONG mensalmente, mas participar de campanhas, eventos, colocar a doação como parte do dia a dia.


Uma pesquisa da Indiana University Lilly Family School of Philanthropy com 1600 captadores norte-americanos analisou informações sobre suas doações e voluntariados descobrindo que eles são mais generosos com seu dinheiro e com seu tempo do que o público em geral. Foi revelado que, em um ano, 98,5% dos captadores realizaram doações. Os resultados mostram que os captadores têm uma propensão 80% maior para doações, sendo que suas contribuições foram 73% maiores na comparação com outros públicos. Quando as doações não são financeiras e se referem à disponibilidade de tempo, as informações ressaltam que 82,9% dos captadores fizeram trabalhos voluntários, uma porcentagem bem mais alta do que o voluntariado de 33,7% da população.


Fontes: ABCR