Não há dúvidas sobre a empatia e o altruísmo do brasileiro. Contudo, não é possível afirmar que a população tenha firmado um compromisso com a cultura de doação.

 

No Brasil, o ato de doar encontra resistência na desconfiança. Desconfiança no processo de doação, acerca do que será feito com o valor doado e até mesmo da idoneidade da Organização, entre outros entraves.

A população se mostra mais solidária em momentos críticos. Essa generosidade se revela em formas mais concretas por meio de doação de mantimentos, roupas e até de mão de obra, não tendo a doação em dinheiro a mesma adesão.

 

O primeiro passo para desenvolver uma cultura de doação é justamente estabelecer um vínculo de longo prazo com o doador. O doador deve abraçar a causa pela qual a Organização luta, realizando doações recorrentes/contínuas e não apenas buscando suprir uma dor imediata. Por isso, torna-se tão importante definir a(s) causa(s) a ser(em) apoiada(s) e definir a como apoiá-la.

 

Em relação a desconfiança por parte da população, torna-se imprescindível a divulgação de resultados e a aplicabilidade dos recursos captados. Além disso suprir a sensação de desconfiança, engaja os doadores e os mantém ativos, uma vez que eles conseguem de fato enxergar o impacto e a eficácia de suas doações. O doador deve sentir felicidade à medida que ele resolve as dores e os problemas sociais, e não à medida em que ele realiza a doação em si. 

 

Neste ponto, é importante salientar que na divulgação de resultados e na própria comunicação em si com seu doador, seja usada uma linguagem mais acessível e menos técnica, democratizando todo o processo de doação e de acompanhamento dos impactos gerados. 

 

Dessa forma, a cultura de doação não será apenas em momentos delicados e sem envolvimento nas causas, mas sim um pensamento de longo prazo, que transforme o comportamento da população brasileira de forma permanente e, através disso, também a vida dos beneficiados. 

 

Fontes: Instituto Ressoar, GIFE, IDHEC